Se alguns termos são mais difíceis para a nossa compreensão, é sinal de que devemos iniciar a jornada do desaprender. Desaprender para aprender novamente. Atuo como líder de projetos de design de marca e comunicação desde 1988, ano que dei os primeiros passos em um caminho solitário. Solitário, porém ao lado de muita gente boa e profissionais cheios de talento.

A caminhada que me trouxe até aqui foi, muitas vezes, um tanto incompatível com a minha visão de negócio. E, vejo que agora, estou tendo a sorte de encontrar movimentos e necessidades mais compatíveis com o meu verdadeiro propósito. 

Estamos acostumados a pensar de maneira linear. Por exemplo, a cadeia produtiva considerada normal para que um produto chegue até você inicia nos insumos, passa pelos fornecedores, pelos sistemistas e chega na indústria, onde é entregue para os representantes e distribuidores, que por sua vez atendem os canais de vendas, cuja missão é ofertá-lo para o consumidor final. Para cada uma das etapas acima, há um processo individual de autoproteção e isolamento. O modelo linear está baseado no exploratório competitivo. 

O conceito da multidimensionalidade não derruba essa cadeia, mas permite o acesso a uma nova compreensão. O pensamento multidimensional é baseado no colaborativo, no tecnológico e no descentralizado. Esses simples atributos mudam radicalmente a forma de conduzir um negócio. 

Esta compreensão é necessária para entendermos que as pessoas não se relacionam com uma indústria, nem com o canal. Elas se relacionam com as marcas. É por esta razão que símbolos transcendem. Eles são multidimensionais por essência. Marca não é somente um emblema afixado na grade dianteira de um automóvel, ou uma etiqueta colada na porta de sua geladeira, fogão ou móvel de cozinha. Indo além, estas identificações são uma forma de expressão do desejo do consumidor e de todos os processos realizados até a etapa final do produto. O brilho criativo do designer alcança e abarca toda esta multidimensionalidade.

Lembro de alguns episódios desafiantes em minha carreira, como a visita a uma feira internacional, juntamente com executivos de uma empresa que atendia. Momentos antes de acessar os pavilhões do evento, caminhando a passos largos em direção aos expositores, ouvi de um dos diretores, “Augusto, não tem a necessidade de você estar conosco na feira, você pode aproveitar o dia e visitar a cidade e alguns museus”. Ficou nítido para mim a sua completa falta de conhecimento sobre o meu papel no negócio. Minha resposta imediata foi, “prefiro visitar a feira. Enquanto vocês verificam com que parafusos os produtos são apertados, eu aproveito para ver como as marcas estão se posicionando e com que promessas estão conduzindo o futuro de seus negócios”. Por fim, visitei a feira e pude mergulhar nos aspectos não tão materiais, como parafusos e rebites.

Augusto Bellini

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