É necessário parar de produzir somente coisas. É necessário passar a gerar o conhecimento. Estamos passando por uma nova revolução. Na última que houve, saímos de um estágio e fomos para um completamente novo. Neste estágio novo que entramos, no início do século passado, aprendemos a fabricar coisas. Coisas para automatizar e gerar uma sequência de consumo. Esta realidade gerou o que temos hoje. O mais fascinante é que não voltaremos ao que era. Adentramos em um território novo e estamos sendo precursores. Alguns apenas dando passagem. Outros fazendo a travessia. A produção em escala necessitava de demanda, giro, rotina de vendas.

 

O Sr. continua buscando isso. Precisa fazer as máquinas girarem. Mas quem consome? Estamos empanturrados. A missão agora é outra. Coisas estão na fábrica? Para que servem? Por que estão sendo feitas assim? Qual a sua função no mundo? Porque devemos consumir isto? Qual a razão desta geração de energia? Estará sendo um desperdício aos recursos naturais? Como estão as pessoas? Quem manufatura isto. Como estão sendo tratados? Quais são as pesquisas em torno do projeto novo que sua publicidade está nos mostrando? O que ocorre com os resíduos gerados por sua indústria? E as fontes, são renováveis?

 

A mente social mudou. Não dá mais para falar em “está mudando”. Os fatos são concretos. Uma nova sociedade se apresenta. Com exigências distintas daquelas anteriores, baseada no produto e sua utilidade básica. Básica ou ilusória. O básico necessita ser fundamental. Como diz o próprio termo, baseados em necessidades primordiais para a vida. O ilusório? Este sobreviverá? Um conceito novo, sim. Ele se faz necessário. Porém, não podemos insistir na manutenção dos velhos preceitos. O ilusório alimenta a evolução. Um novo ilusório, portanto, faz-se necessário. Ou o Sr. acredita que pessoas vão continuar se envenenando com Coca-Cola “é isso aí?”.

 

A reinvenção será necessária. Os produtos estão deixando de se justificar da maneira como estão. Desta forma os “porquês” serão fundamentais.

A “venda” está perdendo o sentido. Passa aos holofotes o cliente, o consumidor. Aquele que está decidindo do outro lado do balcão. Quais são as suas necessidades profundas? Seu produto e o que se pensa dele são suficientemente abrangentes?

As perguntas são dominantes. Antes as respostas eram decisoras. Hoje já não mais.

 

Não, não Sr. Não se trata de darmos uma resposta mágica para os acontecimentos. Ocorre que agora o valor percebido é muito mais importante do que qualquer bem tangível que você possua ou produza. Realizar esta construção em torno do seu negócio é vital.

 

Produzir o conhecimento é o foco central das operações de negócios. Isso vale para tudo. E este conhecimento dos fatos intangíveis transcendem qualquer outra atividade. Bem vindo a era do conhecimento. Repense seus valores, reavalie sua conduta, redesenhe seus processos, reinvente seus produtos, redefina seu posicionamento, antes limitado ao bem em si. Conhecer para reconhecer sua importância. Esta já é a função principal das marcas. E deve ser matéria de consumo dos profissionais de marketing e vendas.

 

O storytelling (que nada mais é do que contar histórias relevantes) será o precursor deste novo tempo. Agora é o que temos de maior riqueza neste novo ambiente . Histórias para justificar sua presença no mercado. Consumidores não são mais somente consumidores de coisas. As coisas consumidas passaram do estágio das coisas. A consciência de consumo mudou. E mais uma vez, acentuo que não se trata de uma opinião tecnopata. Trata-se de afirmação lúcida e relevante.

 

Experimente agregar este valor em seus produtos e marca através do conhecimento. Perceberá a diferença. Porém esteja preparado. É um território sem precedentes. Comece a pensar na cadeira que nunca antes fora ocupada em suas reuniões de pauta: a cadeira do cliente. Antes sempre vazia. Agora, com total relevância. Argumentos e justificativas serão a base do marketing. Assim será possível criar autoridade de marca. Não somente lembrança de marca (estágio, até pouco tempo, sonho de consumo de 9 entre 10 publicitários).

 

Guto Bellini

Diretor de Criação da StudioDesign e mentor de conteúdo na Primevo Branded Content e Digital

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